2 de abril de 2010

não sabe? aprende...?


A crueldade de que se é capaz
Deixar pra trás os corações partidos
Contra as armas do ciúme tão mortais
A submissão às vezes é um abrigo

Saber amar
saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
é saber deixar alguém te amar

O amor te escapa entre os dedos
E o tempo escorre pelas mãos
O sol já vai se pôr no mar...

(Herbert Viana)


fácil de entender! :)


Se você quisesse ía ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal...

16 de março de 2010

...ao menos uma vez...



Quem me dera, ao menos uma vez,

Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

[...] é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui...

("Índios" - Legião Urbana)

8 de março de 2010

"Ser que nunca fui"



Começo a chorar
do que não finjo
porque me enamorei
de caminhos
por onde não fui
e regressei
sem ter nunca partido
para o norte aceso
no arremesso da esperança

Nessas noites
em que de sombra
me disfarcei
e incitei os objectos
na procura de outra cor
encorajei-me
a um luar sem pausa
e vencendo o tempo que se fez tarde
disse: o meu corpo começa aqui
e apontei para nada
porque me havia convertido ao sonho
de ser igual
aos que não são nunca iguais

Faltou-me viver onde estava
mas ensinei-me
a não estar completamente onde estive
e a cidade dormindo em mim
não me viu entrar
na cidade que em mim despertava

Houve lágrimas que não matei
porque me fiz
de gestos que não prometi
e na noite abrindo-se
como toalha generosa
servi-me do meu desassossego
e assim me acrescentei
aos que sendo toda a gente
não foram nunca como toda a gente

(Mia Couto - in 'Raiz de Orvalho e outros poemas')

7 de março de 2010

há um cais?



Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

E são tantas marcas que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna...
tô te esperando...
vai demorar (?)

("Lanterna dos Afogados" - Herbert Viana)

28 de fevereiro de 2010

- entre_linhas -




se vai ficar não diga nada
sei ouvir o seu silêncio
e o que ele quer dizer

não pergunto seus segredos,
não me importa nada disso
só preciso de você

não há mesmo nada pra falar
quando a vida segue sua lógica
não há mesmo nada pra entender
quando o vento sopra sua música

se vai ficar não faça nada
deixa a luz levar o dia
deixa o dia anoitecer

não se assuste com seus medos
quando o coração dispara
deixa o coração bater

não há mesmo nada pra falar
quando a vida segue sua lógica
não há mesmo nada pra entender
quando o vento sopra sua música

("Ficar" - Celso Fonseca)

...na contramão!


Toda vez que tento me perder
Acabo me encontrando perto de você...
Pode me dizer:
você faz isso por querer?


Tento o mar que leva e traz sem parar...
Seu ruído rosa me comove,
Me faz lembrar que o amor é estranho...
Que o amor não quer saber...(!?!)

Tento a tv,
O dolby-surround a transforma num show sem igual!!
Pois afinal
O amor é estranho e sem forma..
O amor é anormal...(?)

("Ruído Rosa" - Pato Fu)

27 de fevereiro de 2010

Homenagem ao Malandro



Eu fui fazer um samba em homenagem

à nata da malandragem,
que conheço de outros carnavais.

Eu fui à Lapa e perdi a viagem,
que aquela tal malandragem não existe mais.

Agora já não é normal,
o que dá de malandro regular profissional,
malandro com o aparato de malandro oficial,
malandro candidato a malandro federal,
malandro com retrato na coluna social;

malandro com contrato,
com gravata e capital,
que
nunca se dá mal.

Mas o malandro para valer, não espalha,
aposentou a navalha,
tem mulher e filho e tralha e tal.

Dizem as más línguas que ele até trabalha,
Mora lá longe, chacoalha, no trem da central...

(Chico Buarque)

6 de fevereiro de 2010

como "bolhas de sabão"...




Tudo que mereço
teve um preço que não cabe discutir.
O que passou não vale a pena,
Quero o que tem por vir.
Foi sempre assim e sempre vai ser:
Nós queremos sempre mais!
Tudo não satisfaz...
Tudo não satisfaz...!

Não me venha com a dor
De quem não conseguiu,
Quero insatisfação...

Tudo que preciso é impreciso,
Não me cabe definir de antemão.
Os meus desejos, eles surgem
Como bolhas de sabão da mão de uma criança,
Como ondas, como nuvens,
Como qualquer coisa viva...

(Biquini Cavadão)

29 de janeiro de 2010

Oração do Horizonte


Composição:
Tico Santa Cruz
(Detonautas)

Nós vivemos a verdade
Que reluz no coração,
Somos força e coragem
Enfrentando a escuridão.
E onde o amor for infinito
Que eu encontre o meu lugar.
E que o silêncio da saudade,
Não me impeça de cantar.

Talvez você me encontre por aí,
Quem sabe a gente possa descobrir no amor
Sonhos iguais, noites de luz
Que os dias de paz estão em nós.

Que o desprezo que nos cerca
Fortaleça essa canção,
E que o nosso egoísmo
Se transforme em união.
E onde o amor for infinito,
Que eu encontre o meu lugar.
E que o estorvo da maldade,
Não me impeça de voar.

Talvez você me encontre por aí
Quem sabe a gente possa descobrir no amor
Sonhos iguais, noites de luz
Que os dias de paz estão em nós.

A bondade é fortaleza,
O amor tudo é capaz,
E que a cegueira da certeza
Não sufoque os ideais do amor...

E que em cada coração, árido ou concreto,
Pulse uma semente de primavera...
Como a luz que da janela emana raios de coragem!
Coragem é agir com o coração
Coragem é agir com o coração
E que pra cada ato de coragem nasça uma flor
Uni-vos em torno da luz
Há um horizonte inteiro de amor dentro de cada um de nós
Para encontrá-lo basta acreditar que sim
Da luz eu sou, na luz eu me movo
Da luz eu sou, na luz eu me movo
O amor é a única revolução verdadeira!

14 de janeiro de 2010

Agora... falando sério!! ...


Agora falando sério
Eu queria não cantar
A cantiga bonita
Que se acredita
Que o mal espanta
Dou um chute no lirismo
Um pega no cachorro
E um tiro no sabiá
Dou um fora no violino
Faço a mala e corro
Pra não ver banda passar

Agora falando sério
Eu queria não mentir
Não queria enganar
Driblar, iludir
Tanto desencanto
E você que está me ouvindo
Quer saber o que está havendo
Com as flores do meu quintal?
O amor-perfeito, traindo
A sempre-viva, morrendo
E a rosa, cheirando mal

Agora falando sério
Preferia não falar
Nada que distraísse
O sono difícil
Como acalanto
Eu quero fazer silêncio
Um silêncio tão doente
Do vizinho reclamar
E chamar polícia e médico
E o síndico do meu tédio
Pedindo para eu cantar

Agora falando sério
Eu queria não cantar
Falando sério

Agora falando sério
Preferia não falar
Falando sério

(Chico Buarque)

3 de janeiro de 2010

Pra que serve o horizonte?



Você vai embora dali
que eu vou embora daqui
se aproxima de si
que eu me aproximo de mim.
você prossegue consigo
que eu comigo prossigo
você consegue, eu consigo,
você periga, eu perigo.
não te persigo mais,
não te persigo mais, (mas)
na linha do horizonte
a gente pode se cruzar,
ali onde o poente
encontra com a beira do mar,
na linha do horizonte
a gente pode se cruzar,
a gente pode se encontrar,
pode se encontrar...

("Na Linha do Horizonte" - Arnaldo Antunes/Sérgio Britto)


30 de dezembro de 2009

O que posso desejar pra ti hoje? ...




Que as verdadeiras amizades continuem...

Que as lágrimas sejam poucas e compartilhadas...
Que as alegrias estejam sempre presentes e sejam festejadas por todos!

Que o carinho esteja presente em um simples olá ou em qualquer outra frase, mesmo que digitado rapidamente...
Que os corações estejam sempre abertos para novas amizades, novos amores, novas conquistas...

Que Deus esteja sempre com sua mão estendida apontando o caminho correto...

Que as coisas pequenas como a inveja, o desamor, sejam retiradas de nossa vida!
Que aquele que necessita de ajuda encontre sempre em nós uma palavra amiga.
Que a verdade sempre esteja acima de tudo.

Que o perdão e a compreensão superem as amarguras e as desavenças.

Que este nosso pequeno mundo seja mais humano.

Que tudo que sonhamos se transforme em realidade.

Que o amor pelo próximo seja nossa meta absoluta.

Que nossa jornada de hoje esteja repleta de flores.
Que a felicidade momentânea da vingança ceda espaço para a felicidade eterna do perdão.

Cristina Portes.

27 de dezembro de 2009

...à beirinha!


Como é que eu digo assim
Sem entremeios
Que eu quero ser o seu modelo
O centro da tua atenção
Em que rua dessas acho a sua história?
O fio da tua memória,
O rumo do teu coração?

Se não há
Lugar no mundo em que eu queira estar
Onde eu não veja esse teu olhar...

("Não Há" - Myllena)



A soma dos fatos
Me levam à beirinha
Um salto de pára-quedas
Pára-raios que me separam
dessa tempestade,
Dessa tempestade...
Porque sonhei com você
e não quis mais acordar?
(Marcela Biasi)

21 de dezembro de 2009

...o silêncio traduz...


Quando meus olhos se perdem talvez por dentro de mim
Me paro tão quieto assim que até meu verso é mais triste
E uma lembrança insiste em mim fazer moradia
Repontando uma alegria que eu não sei se ainda existe

Quem terá posto em meus olhos os brilhos deste desejo
Pois sempre quando te vejo me encontro inconstante
Parece que nesse instante minh'alma tem olhos claros
E brilhos assim tão raros qual uma estrela distante

Tenho os olhos mais cansados de procurar horizontes
Pois vou guardando repontes que me chegam pela vida
Às vezes eu sou partida mas nem sempre sou o fim
E fecho os olhos pra mim como se fosse a saída

Talvez por serem tão belos esses claros olhos teus
Quando encontram os meus mesclam caminhos e luz
E o silêncio traduz esse brilho em sentimento
E eu até vejo o momento que a minha alma reluz

Se hoje tenho esse brilho que talvez seja de estrela
Ou então porque ao vê-la roubaram do teu olhar
Só sei que ficam a brilhar e me devolvem a calma
O que seria minh'alma se não fosse eu te encontrar?

("Os Olhos Claros da Alma" - Luiz Marenco/Gujo Teixeira)