13 de dezembro de 2008

Um trechinho...

"Badruddin Hasan, meu filho, a primeira recomendação é:
- não tenha intimidade com ninguém e assim escapará de acidentes; a segurança está na solidão; não se misture nem se associe a ninguém, pois eu ouvi um poeta dizendo:

'Ninguém há neste tempo cujo afeto se deseje,
nem amigo que nas vicissitudes seja fiel;
vive sozinho e não confies em ninguém:
é o conselho que te dou, e basta'.

A segunda, meu filho, é:
- não oprima ninguém, caso contrário o destino oprimirá você. O destino num dia está a seu favor e noutro está contra, e o que o mundo lhe dá amnhã terá de ser pago. Eu já ouvi o poeta dizer:

'Reflete e não te apresses no que almejas;
sê clemente e como tal serás reconhecido;
não existe mão sobre a qual não esteja a de Deus,
nem opressor que não será oprimido por outro'.

A terceira recomendação:
- observe o silêncio, desvie os olhos dos defeitos alheios e contenha a sua língua, pois já se dizia: 'quem observa o silêncio se salva'. Também ouvi o poeta dizer:

'Mudez é adorno e silêncio é segurança;
se acaso falares, não sejas linguarudo, pois,
ainda que alguma vez te arrependas de tua mudez,
de teres falado sempre te arrependerás'.

A quarta, meu filho:
- eu o previno contra o consumo de vinho, pois ele é o motivo de toda discórdia; o vinho faz perder o juízo. Cuidado, muito cuidado para não tomar vinho, pois eu ouvi o poeta dizer:

'Larguei o vinho, parei de bebê-lo
e de seus censores amigo virei:
é bebida que afasta do bom caminho,
e do mal escancara os portões'.

E a quinta, meu filho:
- preserve o seu dinheiro e ele o preservará; guarde o seu dinheiro e ele o guardará; não abuse de seu dinheiro, pois caso contrário você precisará de gente inferior; conserve as moedas, que são ungüento, pois eu ouvi alguém dizer:

'Se o meu dinheiro escasseia, ninguém me acompanha,
mas quando ele aumenta, companhia todos se tornam;
quanto amigo para torrar dinheiro me acompanhou,
e quanto amigo, esgotado o meu dinheiro, me abandonou"'

Aceite, pois, minhas recomendações."

(O Livro das Mil e Uma Noites - Vol I)

6 de dezembro de 2008

Loucos de Cara!!! : )

Vem
anda comigo
pelo planeta
vamos sumir!
Vem
nada nos prende
ombro no ombro
vamos sumir!


Se um dia qualquer
tudo pulsar num imenso vazio
coisas saindo do nada
indo pro nada
se mais nada existir
mesmo o que sempre chamamos REAL
e isso pra ti for tão claro
que nem percebas
se um dia qualquer
ter lucidez for o mesmo que andar
e não notares que andas
o tempo inteiro
É sinal que valeu!
Pega carona no carro que vem
se ele é azul, não importa
fica na tua...
(Vitor Ramil)

3 de dezembro de 2008

Meu presente, então... : )




O que é meu irmão!
Eu sei o que te agrada
E o que te dói,
E o que te dói...

É preciso estar tranqüilo
Pra se olhar dentro do espelho,
Refletir...
O que é? O que é?

Seja você quem for,
Eu te conheço muito bem...
Isso faz bem pra mim,
Isso faz bem pra vida...

Onde quer que vá
Eu vou estar também,
Eu vou me lembrar
Daquela canção que diz:

Parapapapa...

Bendito
Encontro
Na vida
Amigo

É tão forte quanto o vento quando sopra...
tronco forte que não quebra, não entorta!
Podes crer, podes crer,
Eu tô falando de amizade...

(Cidade Negra)

26 de novembro de 2008

Do céu...




De contar tantas estrelas,
algumas nos olhos guardei...
se lágrimas não brotaram, por dentro de certo chorei...

(Jairo Lambari Fernandes)

17 de novembro de 2008

Marolas...??







Muitos temores nascer do cansaço e da solidão...
E o descompasso e o desperdício herdeiros são
agora da virtude que perdemos...


Disseste que se tua voz tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira...!!


Há tempos o encanto está ausente,
E há ferrugem nos sorrisos,
E só o acaso estende os braços
A quem procura abrigo e proteção...

(Renato Russo - "Há Tempos")

15 de novembro de 2008

queria sentir menos...




quero que me dê
em isso:
não a explicação,
mas a compreensão...
(Clarice)







o que recebemos ou não
é um reflexo do que damos ou não??



10 de novembro de 2008

Opiniões Alheias...




"Não podemos evitar que os pássaros

voem sobre nossas cabeças,
mas
podemos evitar que eles construam seus ninhos nelas".

5 de novembro de 2008

"Depois"...




Não foi dessa vez
Mas pode ter certeza
Mal posso esperar
Pra fugir da tristeza
Amanhã talvez
Vai ser um carnaval
Vão falar de mim
Pro bem ou pro mal
Tomo um café e um guaraná pra me animar
Mas ficou tão tarde
Que é melhor deixar pra lá...

Prometo, juro, garanto
Vou resolver tudo isso
Assim que tiver coragem
E mais nenhum compromisso!! :)

(Pato Fu)



2 de novembro de 2008

Por dentro...

Eu não tenho muito, quase nada,
Só a sombra do meu corpo sobre a estrada
Misturada a galhos secos...
Eu só tenho becos e perguntas,
Minha alma e minha culpa dormem juntas.

Eu não tenho frio nos meus versos,
Mas também não sei dos outros universos
Que carrego paralelos...
Eu não tenho elos, nem correntes,
Meus "fantasmas" sempre foram diferentes...

Eu não tenho ilhas num tesouro,
Um lugar em casa para o desaforo,
Nem espaço pra lamento...
Eu não tenho vento que me pegue,
Nem diabo que me agüente ou me carregue...

Eu tenho convites e te chamo,
Minha natureza está no que eu te amo...
Mesmo nesse mundo louco
Eu só tenho pouco tempo, agora posso esperar
Mas não demora...

No silêncio do vazio,
Arrastando maravilhas,
Nem vertigem, nem limites,
Daqui a pouco é outro dia...

(Marcela Biasi)

"SOS"



No cartão de procedência
Pouco importa onde nasci
Busquei rumo e me perdi
"Querência, minha querência"
Desde então me chamo ausência
Porque me apartei de ti

Como um cavaleiro andante
Das léguas que caminhava
Sempre que me aproximava
Dos sonhos correndo adiante
Mais me sentia distante
Daquilo que procurava

Quem vira mundo não pára
Nem tão pouco desanima
Há uma lei que vem de cima
Na estrada do tapejara
Tempo que nos separa
É que mais nos aproxima
Quem vira mundo não pára
Nem tão pouco desanima

E neste andejar em frente
Sem procurar recompensa
Fui vendo na diferença
Entre passado e presente
Que a lembrança de um ausente
Tem mais força que a presença

Já no final da existência
Saudade, tempo e distância
Pra conservar a fragrância
Da primitiva inocência
Me tornei canto de ausência
Querência da minha infância

(Luiz Marenco)

"Metáfora"

Uma lata existe para conter algo,
Mas quando o poeta diz lata
Pode estar querendo dizer o incontível...

Uma meta existe para ser um alvo,
Mas quando o poeta diz meta
Pode estar querendo dizer o inatingível...

Por isso não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata.
Na lata do poeta tudo-nada cabe,
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível...

Deixe a meta do poeta, não discuta,
Deixe a sua meta fora da disputa;
Meta dentro e fora, lata absoluta,
Deixe-a simplesmente metáfora...


(Gilberto Gil)

25 de outubro de 2008

...

Busca meus olhos,
toma minha mão, se aproxime,
Este é teu lugar...
esta é tua xícara de café...
Não diga nada,
Você diz com o olhar mais do que acredita dizer...

À deriva
você leva a alma no timão.
vai pela vida,
só escutando o coração...
busca um porto,
busca um céu aberto
distante da dor...

A teu destino
quería se manter fiel
princesa ferida,
o teatro da vida
muda de papel...

("Raquel" - Drexler)


"Soledad"




Soledad,
aqui estan mis credenciales,
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tu y yo nos vayamos conociendo...

Aquí estoy,
te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás
en cada cosa que he callado...

Ya pasó
ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
quien me acompañe, soledad,
a mi, que nunca supe bien
cómo estar solo...

(Drexler)

"Argumento"

Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro
Ou de um tamborim

Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar...

(Paulinho da Viola)

"Coração Imprudente"

O que pode fazer
Um coração machucado
Senão cair no chorinho
Bater devagarinho pra não ser notado
E depois de ter chorado
Retirar de mansinho
De todo amor o espinho
Profundamente deixado

O que pode fazer
Um coração imprudente
Se não fugir um pouquinho
De seu bater descuidado
E depois de cair no chorinho
Sofrer de novo o espinho
Deixar doer novamente

(Paulinho da Viola)