Eu quis amar mais tive medo E quis salvar meu coração Mas o amor sabe um segredo O medo pode matar o seu coração Água de beber Água de beber camará Água de beber Água de beber camará Eu nunca fiz coisa tão certa Entrei pra escola do perdão A minha casa vive aberta Abri todas as portas do coração Água de beber Água de beber camará Água de beber Água de beber camará Eu sempre tive uma certeza Que só me deu desilusão É que o amor é uma tristeza Muita mágoa demais para um coração Água de beber Água de beber camará Água de beber Água de beber camará (Quarteto em Cy)
Quero esquecer quem sou Por um segundo, ou por mil minutos Não vou dizer onde vou Mas levo meus grãos e as chaves
Estranho é soprar contra o vento Tomar o rumo antigo que ficou pra trás Da estrada que não cabe em mim De tão sem fim De tão sem fim Com as minhas diferentes pegadas...
Cada passo, cada espaço Cada espaço, cada passo
O que me aproximou já não me cabe Não vou dizer onde vou Mas levo meus grãos e as chaves... (Marcela Biasi)
Baby, baby... Nao adianta chamar Quando alguém está perdido Procurando se encontrar Baby, baby... Nao adianta esperar, Tire isso da cabeça E põe o resto no lugar...
O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre... mas, quando alguém erra, pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...
A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...
Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.
Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...
Um por um Os grãos dessa areia vão te sufocar Ninguém viu Mas aquela ampulheta mudou de lugar E em cada estrada que essa canção me levar Vou me perder pra te encontrar Na minha sala de estar
E sabe o que o relógio Espatifado sobre a mesa me diz? Que o TEMPO foi embora Procurar um jeito de ser feliz
E agora é para sempre nunca mais Nunca pára, é sempre mais Mas sempre nunca iguais Para sempre nunca mais...
Sinto o abraço do tempo apertar E redesenhar minhas escolhas Logo eu que queria mudar tudo Me vejo cumprindo ciclos, gostar mais de hoje E gostar disso Me vejo com seus olhos, tempo Espero pelas novas folhas Imagino jeitos novos para as mesmas coisas Logo eu que queria ficar Pra ver encorparem os caules Lá vou eu, eu queria ficar Pra me ver mais tarde, Sabendo o que sabem os velhos Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto E vejo o tempo em seu claroescuro Vejo o tempo em seu movimento Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo Logo eu que fazia girar o mundo, Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas Se arrastando feito meses se o meu amor demora E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes E vejo o tempo apodrecer e brotar E seguir sendo sempre ele Me vejo o tempo todo começar de novo E ser e ter tudo pela frente...
Minhas lágrimas não caem mais Eu já me transformei em pó E os meus gritos não se escutam mais Estão na direção do sol Meu futuro não me assusta ou faz Correr pra desprender o nó Que me amarra a garganta e traz o vazio de viver e só
Se alguém encontrou um sentido pra vida, chorou Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo Transformando o silêncio que até então é mudo Naquela canção que parece encontrar a razão Mas que ao final se cala Frente ao tempo que não para Frente à nossa lucidez...
Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando de minha própria força. Sou forte mas também destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutiva também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais.
Amigo é coisa pra se guardar Debaixo de sete chaves Dentro do coração Assim falava a canção Que na América ouvi Mas quem cantava chorou Ao ver seu amigo partir
Mas quem ficou No pensamento voou Com seu canto que o outro lembrou E quem voou No pensamento ficou Com a lembrança que o outro cantou
Amigo é coisa pra se guardar No lado esquerdo do peito Mesmo que o tempo e a distância Digam não Mesmo esquecendo a canção O que importa é ouvir A voz que vem do coração
Pois seja o que vier Venha o que vier (venha o que vier) Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar
Pois seja o que vier Venha o que vier (venha o que vier) Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar
"Se vocês soubessem como esta noite está diferente. São três horas da madrugada, estou com uma das minhas insônias. Tomei uma xícara de café, já que não ia dormir mesmo. Botei açúcar demais, e o café ficou horrível. Ouço o barulho das ondas do mar se quebrando na praia. Esta noite está diferente porque, enquanto vocês dormem, estou conversando com vocês. Interrompo, vou ao terraço, olho a rua e a nesga de praia e o mar. Está escuro. Tão escuro. Penso em pessoas de quem eu gosto: estão todas dormindo ou se divertindo. É possível que algumas estejam tomando uísque. Meu café se transforma em mais adocicado ainda, em mais impossível ainda. E a escuridão se torna tão maior. Estou caindo numa tristeza sem dor. Não é mau. Faz parte. Amanhã provavelmente terei alguma alegria, também sem grandes êxtases, só alegria, e isto também não é mau. É, mas não estou gostando muito deste pacto com a mediocridade de viver..."
(C. Lispector - 'Aprendendo a Viver')
Ps.: qualquer semelhança com a (minha) realidade é mera coincidência... Hehehe...
"... como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam certas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave..." (Clarice Lispector)