22 de agosto de 2008

Relações: a "arte"...




O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada - palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.

O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra - pois o que se deseja é que ninguém erre... mas, quando alguém erra, pede desculpas; e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos...

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá...

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão... O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem - cresce o amor... Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim...

(Rubem Alves - O retorno e terno, p. 51.)


E então?? Tênis ou Frescobol?? ;)

19 de agosto de 2008

Ninguém viu, mas...

Um por um
Os grãos dessa areia vão te sufocar
Ninguém viu
Mas aquela ampulheta mudou de lugar
E em cada estrada que essa canção me levar
Vou me perder pra te encontrar
Na minha sala de estar

E sabe o que o relógio
Espatifado sobre a mesa me diz?
Que o TEMPO foi embora
Procurar um jeito de ser feliz

E agora é para sempre nunca mais
Nunca pára, é sempre mais
Mas sempre nunca iguais
Para sempre nunca mais...
(Moska)



14 de agosto de 2008

Bom som...




Pra quem gosta de ouvir uma boa melodia... e pra quem quer aprender ou ver uma boa execução instrumental...

"Ao Que Vai Chegar" - Toquinho

fonte:http://sombrasil.ig.com.br/canja

11 de agosto de 2008

Me vejo...



Sinto o abraço do tempo apertar
E redesenhar minhas escolhas
Logo eu que queria mudar tudo
Me vejo cumprindo ciclos, gostar mais de hoje
E gostar disso
Me vejo com seus olhos, tempo
Espero pelas novas folhas
Imagino jeitos novos para as mesmas coisas
Logo eu que queria ficar
Pra ver encorparem os caules
Lá vou eu, eu queria ficar
Pra me ver mais tarde,
Sabendo o que sabem os velhos
Pra ver o tempo e seu lento ácido dissolver o que é concreto
E vejo o tempo em seu claroescuro
Vejo o tempo em seu movimento
Me marcar a pele fundo, me impelindo, me fazendo
Logo eu que fazia girar o mundo,
Logo eu, quem diria, esperar pelos frutos
Conheço o tempo em seus disfarces, em seus círculos de horas
Se arrastando feito meses se o meu amor demora
E vejo bem tudo recomeçar todas as vezes
E vejo o tempo apodrecer e brotar
E seguir sendo sempre ele
Me vejo o tempo todo começar de novo
E ser e ter tudo pela frente...
(Adriana Calcanhoto)

28 de julho de 2008

"..."



Minhas lágrimas não caem mais
Eu já me transformei em pó
E os meus gritos não se escutam mais
Estão na direção do sol
Meu futuro não me assusta ou faz
Correr pra desprender o nó
Que me amarra a garganta e traz o vazio de viver e só

Se alguém encontrou um sentido pra vida, chorou
Por aumentar a perda que se tem ao fim de tudo
Transformando o silêncio que até então é mudo
Naquela canção que parece encontrar a razão
Mas que ao final se cala
Frente ao tempo que não para
Frente à nossa lucidez...

(Ao Fim de Tudo - Cidadão Quem)

24 de julho de 2008

"7 x 1"



Não é todo o dia... ; )

20 de julho de 2008

" ... "



[...]

Neste mesmo instante estou pedindo que Deus me ajude. Estou precisando. Precisando mais do que a força humana. E estou precisando de minha própria força. Sou forte mas também destrutiva. Autodestrutiva. E quem é autodestrutiva também destrói os outros. Estou ferindo muita gente. E Deus tem que vir a mim, já que eu não tenho ido a Ele. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu não mereça, venha. Ou talvez os que menos merecem precisem mais. Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor: às vezes parecem farpas. Se tanto amor dentro de mim recebi e continuo inquieta e infeliz, é porque preciso que Deus venha. Venha antes que seja tarde demais.

(Clarice L.)

Uma canção por hoje... : )



Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração
Assim falava a canção
Que na América ouvi
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir

Mas quem ficou
No pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou
E quem voou
No pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa pra se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância
Digam não
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

Pois seja o que vier
Venha o que vier (venha o que vier)
Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

Pois seja o que vier
Venha o que vier (venha o que vier)
Qualquer dia, amigo, eu volto a te encontrar
Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

(Canção da América - Milton Nascimento)

19 de julho de 2008

"Enquanto vocês dormem..."



"Se vocês soubessem como esta noite está diferente. São três horas da madrugada, estou com uma das minhas insônias. Tomei uma xícara de café, já que não ia dormir mesmo. Botei açúcar demais, e o café ficou horrível. Ouço o barulho das ondas do mar se quebrando na praia. Esta noite está diferente porque, enquanto vocês dormem, estou conversando com vocês. Interrompo, vou ao terraço, olho a rua e a nesga de praia e o mar. Está escuro. Tão escuro. Penso em pessoas de quem eu gosto: estão todas dormindo ou se divertindo. É possível que algumas estejam tomando uísque. Meu café se transforma em mais adocicado ainda, em mais impossível ainda. E a escuridão se torna tão maior. Estou caindo numa tristeza sem dor. Não é mau. Faz parte. Amanhã provavelmente terei alguma alegria, também sem grandes êxtases, só alegria, e isto também não é mau. É, mas não estou gostando muito deste pacto com a mediocridade de viver..."


(C. Lispector - 'Aprendendo a Viver')


Ps.: qualquer semelhança com a (minha) realidade é mera coincidência... Hehehe...


Mudez essencial...




"... como se eu tivesse a tela, os pincéis e as cores - e me faltasse o grito de libertação, ou a mudez essencial que é necessária para que se digam certas coisas. Às vezes a minha mudez faz com que eu procure pessoas que, sem elas saberem, me darão a palavra-chave..."

(Clarice Lispector)

15 de julho de 2008

Cuida de mim enquanto... : )



"eu busquei quem sou,
você pra mim mostrou
que eu não sou sozinha nesse mundo..."

(O Teatro Mágico)

13 de julho de 2008

O que é "urgente"...???



...estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender.

Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem,

mas não quero ficar com o que vivi.

Não sei o que fazer do que vivi,

tenho medo dessa desorganização profunda...

(Clarice Lispector)

"O que se passa?"


Que minha solidão me sirva de companhia...
que eu tenha a coragem de me enfrentar...
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo...


(Clarice Lispector)

11 de julho de 2008

Gostas dele??



E das suas histórias??
Fazem um bem inefável para a alma e pro coração...
Viaja com ele, se puderes... ;)

O que é isso, companheiro?!!?

"Eu não entendo o que faço porque não faço o que gostaria de fazer. Ao contrário,
faço justamente aquilo que odeio! Pois não
faço o bem que quero,
mas o mal que nã
o quero fazer, esse faço."
Paulo