29 de agosto de 2007

Essência...

"...um verso da Cecília Meireles, do seu poema Sugestão:

“Sede assim – qualquer coisa
serena, isenta, fiel.
Flor que se cumpre, sem pergunta...“

Cumprir-se, sem fazer perguntas: que coisa mais comovente! E nós, tolos, que nunca chegamos a nos cumprir, por termos a necessidade de ter todas as respostas primeiro. Walt Whitmann dizia que uma Morning Glory pela manhã, na sua janela, lhe dava mais felicidade e sabedoria que todos os livros de filosofia. Alberto Caeiro, cuja poesia tem a clara intenção de enfeitiçar os nossos olhos para que voltemos a ver como as crianças viam, dizia que o olhar tem de ser nítido como um girassol. Ah! Os girassóis de van Gogh! E é assim que Ricardo Reis termina o seu mais belo poema:

“Colhamos flores.
Molhemos leves
as nossas mãos
Nos rio calmos,
Para aprendermos
Calma também.
Girassóis sempre
Fitando o Sol,
Da vida iremos
Tranquilo, tendo
Nem o remorso
De ter vivido...“

Quando houver oportunidade falarei sobre outras coisas que outros pensaram e fizeram, provocados pela simples contemplação das flores. Você já se deu a essa aventura?"

www.rubemalves.com.br/quartodebadulaquesVI.htm

28 de agosto de 2007

Lui Coimbra lembra essa música...

Drop's de Hortelã
Oswaldo Montenegro

Eu andava meio estranho
Sem saber o que fazia, eu não sei...
Andava assim, eu não sei,
Se era feliz.
Eu achava que faria uma canção
E a melodia, eu não sei...
Andava assim, eu não sei,
Se era feliz.
Eu achava que faria tudo que não sei,
Que amaria, eu não sei, fazer desenhos com giz.
Eu achava que faria uma canção nissei (não sei),
Eu me sentia, eu não sei, um americano em Paris.
Eu achava que tamanho tinha a ver com poesia, eu não sei...
E toda vida eu deixei a vida entrar no nariz.
Me mandei pra Curitiba, e como gosto dessa vida!
Ah! Eu sei que paixão que eu falei me lembra o anis.
Fiz um drops de hortelã da bala que eu te dei,
Para atirar no porém da frase que eu nunca fiz.

Relíquias '107.9'

Ouro E Sol
Zeca Baleiro E Lui Coimbra


Quando o sol chegar
E acender o céu
Claro céu sem fim
Flores sem razão
Vão despetalar
Você vai lembrar de mim

Vai lembrar de mim
Quando azul sem fim
O mar e o vento oeste
Murmurarem sim
Vai lembrar de mim
Nosso sonho de ouro e sol

Era carnaval
E no meu quintal
Soprava o vento oeste
Na janela, luz
Dias tão azuis
Nós andamos sobre o sol

Sem olhar pra trás
Parecendo iguais
Ao sol da tarde oeste
A rolar no chão
Nosso coração
Se tingiu de ouro e sol

Nem juras de felicidade
Nem ilusões de paraíso
Um sorriso e pra sempre levar
Nosso olhar de ouro e sol

Os anos se vão
Dias passarão
Tardes assim
O sol se distrai
Vem a noite e cai
Você vai lembrar de mim

Vai lembrar de mim
Quando em seu jardim
Soprar o vento oeste
Um velho jasmim
Claro céu sem fim
Nós andamos sobre o sol

27 de agosto de 2007

"In Preludium"...

Solidão
(Alceu Valença)

A solidão é fera, a solidão devora,
É amiga das horas, prima, irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração...
Solidão...
A solidão dos astros
A solidão da Lua
A solidão da fera
A solidão da noite
A solidão da rua
A solidão é fera....

26 de agosto de 2007

Pedale...

Pra quem já conhece, vale a pena uma 're-leitura'.
E se é novidade, bom 'passeio'...
Em princípio, eu via Deus como um observador, um juiz que não perdia de vista as coisas erradas que eu fazia. Desse modo, quando eu morresse, ele saberia se eu merecia ir para o Céu ou para o Inferno. Ele estava sempre lá, como um presidente: eu reconhecia a imagem dele quando a via, mas não o conhecia de verdade.
Mas, mais tarde, quando eu o conheci melhor, pareceu que a vida era como um passeio de bicicleta para duas pessoas e percebi que Deus estava no banco de trás, me ajudando a pedalar.
Não lembro quando ele sugeriu-me que trocássemos de lugar, e a vida não foi a mesma desde então... A vida com o seu poder superior tinha se tornado muito mais excitante!! Quando eu detinha o controle, sabia o caminho. Era um tanto entediante, mas previsível – sempre a distância mais curta entre dois pontos. Mas quando Deus assumiu a liderança (Ele conhecia atalhos maravilhosos!!) passei a subir montanhas e atravessar terrenos pedregosos em velocidade vertiginosa! Tudo que eu podia fazer era seguir em frente! Embora tudo aquilo parecesse loucura ele ficava dizendo: “Pedale! Pedale!”
Eu ficava preocupado e ansioso, e perguntava: “Para onde o Senhor está me levando?” E Deus apenas sorria e não me dava uma resposta, e eu me vi começando a confiar nele. Logo me esqueci da minha vida entediante e comecei a participar da aventura. Quando dizia que estava assustado, Ele virava-se para trás e tocava minha mão.
Deus levou-me até pessoas com dons de que eu precisava; dons de aceitação e alegria, entre outros. Essas pessoas deram-me ajuda para prosseguir na minha jornada. Isto é, nossa jornada: de Deus e minha. E nós partimos novamente. Então Ele me disse: “Desfaça-se dos dons, são bagagem extra, pesam demais!” Então eu os dei para as pessoas que encontramos e descobri que quanto mais eu compartilhava, mais eu recebia! E, além disso, o meu fardo ficava mais leve.
A princípio, eu não confiei muito em Deus quando ele assumiu o controle da minha vida. Achei que ele a destruiria. Mas o Senhor conhecia os “segredos” da bicicleta, sabia como incliná-la para fazer curvas fechadas, pular para evitar lugares cheios de pedras, aumentar a velocidade para encurtar os caminhos difíceis. Também estou aprendendo a calar-me e pedalar nos lugares mais complicados e aprendi a apreciar a paisagem e a brisa fresca em meu rosto com o meu ótimo e constante companheiro.
E, quando estou certo de que não posso mais seguir em frente, Ele apenas sorri e diz: “Pedale!”
(Desconheço a origem do texto)

24 de agosto de 2007

Real...?

metáfora...

"Mas não era bem isto que eu queria. Queria o jardim dos meus sonhos, aquele que existia dentro de mim como saudade. O que eu buscava não era a estética dos espaços de fora; era a poética dos espaços de dentro. Eu queria fazer ressuscitar o encanto de jardins passados, de felicidades perdidas, de alegrias já idas. Em busca do tempo perdido... Uma pessoa, comentando este meu jeito de ser, escreveu: "Coitado do Rubem! Ficou melancólico. Dele não mais se pode esperar coisa alguma..." Não entendeu. Pois melancolia é justamente o oposto: ficar chorando as alegrias perdidas, num luto permanente, sem a esperança de que elas possam ser de novo criadas. Aceitar como palavra final o veredicto da realidade, do terreno baldio, do deserto. Saudade é a dor que se sente quando se percebe a distância que existe entre o sonho e a realidade. Mais do que isto: é compreender que a felicidade só voltará quando a realidade for transformada pelo sonho, quando o sonho se transformar em realidade. Entendem agora por que um paisagista seria inútil? Para fazer o meu jardim ele teria que ser capaz de sonhar os meus sonhos...
Sonho com um jardim. Todos sonham com um jardim. Em cada corpo, um Paraíso que espera... Nada me horroriza mais que os filmes de ficção científica onde a vida acontece em meio aos metais, à eletrônica, nas naves espaciais que navegam pelos espaços siderais vazios... E fico a me perguntar sobre a perturbação que levou aqueles homens a abandonar as florestas, as fontes, os campos, as praias, as montanhas... Com certeza um demônio qualquer fez com que se esquecessem dos sonhos fundamentais da humanidade. Com certeza seu mundo interior ficou também metálico, eletrônico, sideral e vazio... E com isto, a esperança do Paraíso se perdeu. Pois, como disse o místico medieval Angelus Silésius:
'Se, no teu centro um Paraíso não puderes encontrar, não existe chance alguma de, algum dia,nele entrar'.
Este pequeno poema de Cecília Meireles me encanta, é o resumo de uma cosmologia, uma teologia condensada, a revelação do nosso lugar e do nosso destino:
"No mistério do Sem-Fim,
equilibra-se um planeta.
E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro:
no canteiro, urna violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,
entre o planeta e o Sem-Fim,
a asa de urna borboleta."
Metáfora: somos a borboleta. Nosso mundo, destino, um jardim. Resumo de uma utopia. Programa para uma política. Pois política é isto: a arte da jardinagem aplicada ao mundo inteiro. Todo político deveria ser jardineiro. Ou, quem sabe, o contrário: todo jardineiro deveria ser político. Pois existe apenas um programa político digno de consideração. E ele pode ser resumido nas palavras de Bachelard: "O universo tem, para além de todas as misérias, um destino de felicidade. O homem deve reencontrar o Paraíso."
(Rubem Alves, O retorno eterno, p 65).

Homeostase

"Todo sistema vivo busca a estabilidade, mas ao mesmo tempo nunca está de fato estável, e sim, em constante processo de mudança (flutuação). [...] o mais importante não é alcançar o equilíbrio. O importante é facilitar o desenvolvimento saudável dos indivíduos e do todo entre os momentos de estabilidade e o processo de mudança."
"Flutuação = processo de constante mudança, alteração e re-acomodação."
"... as estruturas de um sistema vivo têm de manter-se sempre em um estado de fluir, e isto as torna aptas para alcançar novas ordens de complexidade e novos níveis de organização adaptativa."

...

"Se fosse fácil achar o caminho das pedras,
tantas pedras no caminho não seria ruim..."
(Engenheiros do Hawaí)

20 de agosto de 2007

Harmonia... Simples assim...


"Barulho, barulho, muito barulho por nada... por nada no futuro.
Vamos falar mais baixo... Vamos parar pra escutar..."

"Bumbo, violão, pandeiro, para animar o auditório...
E ir pra casa em paz e feliz!!!
Outra beleza não há, outra beleza não há...!!!
(Kid Abelha)

Direção?


"Você não sabe o quanto 'caminhei'
pra chegar até aqui,
percorri milhas e milhas antes de dormir...
Eu não cochilei!!"

Hehehe... nem podia, né?!! Não deve ser igual pra todos, afinal, cada um com suas preferências, mas é um prazer indescritível dirigir, né? Claro: com condições favoráveis é mais tranqüilo, mas os 'imprevistos' e as dificuldades calculadas proporcionam um teor mais elevado de adrenalina... Hehehehe... que o digam meus 'caroneiros'!! Hahuahauhauhauha... Mas, falando sério, a 471 é uma boa pedida pra quem gosta de dirigir (depois que for concluída ficará melhor ainda!).
E, pra variar, como diria o Ira: "Por entre ruas, carros e placas", consegui me enrolar dentro de Arroio dos Ratos. Heehee... que quadro!! Mas, vergonha não é se perder, é se perder e não tentar se achar. Nessa teia que criamos, conseguimos encontrar o caminho de volta!!! Viajem sempre que puderem... só não esqueçam o combustível!!! Hehehee... (PS.: eu não fiz isso! huaiauiauauia)

Na estrada...

Sexta-feira fomos viajar/trabalhar/brincar/descansar... fazer arte!!! Conhecer mais um pedaço do Rio Grande do Sul...

É! Aquele pedaçinho vermelho no mapa: Arroio dos Ratos. Conhecem? Já ouviram falar? Cidade pequena, mas bem agradável. Bons momentos... Participamos do 2º FESTCARBO (Festival Estadual de Teatro Amador da Região Carbonífera). Alguns prêmios foram conquistados, entre eles o de Melhor Espetáculo Adulto pelo júri popular (com a peça O Tratador de Porcos), por esta mesma peça o Marcos Daniel Weirich - chamado lá, carinhosamente, como "Talento de Excessão" - foi justamente premiado como Melhor Ator e a Trilha Sonora também foi premiada, além de outras indicações e premiações com a história do Patinho Feio Mesmo - Uma Aventura no Taim. Galerinha tá de parabéns!!! Não pelos prêmios, que foram legais mas não foram a melhor parte. Palavras como "aura", "energia positiva", "sintonia", "harmonia", "energia contagiante", "encantamento" podem traduzir melhor o que o grupo, como instrumento, deixou gravado no coração daqueles que assistiram as apresentações.

Sabe que... quando a gente começa a duvidar ou a desacreditar de coisas que sempre foram certas e óbvias no nosso coração, é salutar permitir-se meia volta ou volta inteira pra retomar a intensidade da Verdade, pra re-descobrir a beleza do Caminho, pra sentir a plenitude da Vida... Muitas vezes insistimos em procurar longe o que está perto... Por que será?

"Somente a Ti, ó Deus Eterno, a Ti somente, e não a nós, seja dada a glória por causa do Teu amor e da Tua fidelidade". Salmo 115.1

"Tu me mostras o caminho que leva à vida. A Tua presença me enche de alegria e me traz felicidade para sempre"! Salmo 16.11

"... os que trabalham para o bem dos outros encontrarão a felicidade". Provérbios 12.20b

(...)

Isso não a tem a ver diretamente com os fatos acontecidos. É só um parêntesis em função de uma investigação que tá rolando por aí (hehehe...). Então...

Havia um tempo em que eu vivia
Um sentimento quase infantil;
Havia o medo e a timidez,
Todo um lado que você nunca viu...

Guardadas as proporções, era mais ou menos por aí... ;)
Onde estás querendo chegar?? To começando a gostar da idéia de vulnerabilidade... Hehehe...


Atualizando...

Bem. Como a rotina dos últimos dias sofreu uma alteração considerável, vamos por partes. Primeiro: por mais incrível que possa parecer, é fato: sonhei com a composição em Sol Maior - isso foi na madrugada de quarta pra quinta (15 pra 16). Lembro bem da seqüência harmônica, mas a melodia ainda está um pouco embaralhada... Será que vou conseguir lembrar de mais algum detalhe? Humm... Tinha alguém tocando o "desenho melódico" em uma flauta, e era um belo desenho... E era um belo lugar... E foi um belo momento... Prelúdio??? Hehehe... To começando a me convencer de que tenho amigas "profetisas"...

15 de agosto de 2007

Espetáculo

A Glória de Deus na Criação (Salmo 19)


Os céus falam da glória de Deus
e anunciam o que ele tem feito!
Um dia fala dessa glória ao dia seguinte,
e uma noite repete isso à outra noite.
Não há discurso nem palavras,
e não se ouve nenhum som.
No entanto a voz do céu se espalha pelo mundo inteiro,
e as suas palavras alcançam a terra toda.