29 de abril de 2010

Lua Cheia


Minha voz ficou na espreita, na espera...
Quisera abrir meu peito, cantar feliz!!
Preparei para você uma lua cheia,
E você não veio, e você não quis...
Meu violão ficou tão triste, pudera!
Quem dera abrir janelas, fazer serão...
Mas você me navegou mares tão diversos,
E eu fiquei sem versos, e eu fiquei em vão...

("Lua Cheia" - Chico Buarque)

27 de abril de 2010

Vinte e Nove


Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
Já que você não me quer mais.

Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver...

Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão.

E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez...

(Renato Russo)

24 de abril de 2010

Who I Am?


Faz frio na cidade em pleno verão
O sol, sem vontade, cai na construção
Noite em claridade, eu e a solidão
Preso em liberdade e os dias na escuridão...

Com a alma deserta busco a multidão
Meu quarto me aperta tal a imensidão
E a cidade alerta nem presta atenção
Me atrai, me flerta e me deixa na contramão...

Sou só mais um ser comum,
Sou só eu e Deus!
Sou eu? Quem sou eu?
Ninguém que só quer ser alguém
Sou todo mundo
No fundo eu sou a multidão
Sou só densidade
Da cidade sem cidadão...


("Eu sou a multidão" - Marcelo Quintanilha)

Misteriosa "Dona Esperança"


Misteriosa dona esperança
Que invade os rios da solidão
Estou aqui com a minha criança
Querendo o teu sorriso
O que eu mais preciso
É pegar na sua mão

Não deixa que eu seja insegura
Guia-me pela noite escura
Proteja-me do mal
De toda presunção
Faz meu canto ser a oração

Misteriosa dona esperança
Que dança com as luzes do céu
Levai contigo a minha lembrança
De estar no teu abrigo
A força de um amigo
Ai... quando bate o coração

Não deixa que a virtude se perca
A mãe de todas as recompensas
Da terra és o sal
De toda aflição
Faz do meu amor minha canção

(Carlos Carega, por Vânia Abreu)


23 de abril de 2010

humildade


Aprendi que um homem só tem o direito de olhar

um outro de cima para baixo

para ajudá-lo a levantar-se.

15 de abril de 2010

"Quando a Cidade Dormir"



Eu fiz de tudo

menti sem me enganar, eu fingi
louco por você..
Quando a cidade dormir
eu vou passear por aí
Aquecer seu coração...

Me entenda bem se existe alguém
Esse alguém pode ser você
Não tem nenhum ditado
que diga certo ou errado

Eu tento tudo por nós dois
Sem sombra do passado
sem marca da maldade
Estou seguro de nós dois.

(Claudio Zoli)

8 de abril de 2010

basicamente...



Leva linha pra pescar
O pandeiro pra bater
E o tempo pra passar sem perceber
Leva um livro pra reler
Uma história pra contar
E o mais a gente inventa se faltar
Depois de ver o sol nascer

Leva dias de calor
O boné e o protetor
E a rede pra esperar o sol se pôr
Óleo, açucar, sal, café
O prazer de descansar
E o resto a gente vê quando chegar
Depois de mergulhar no mar

De tudo que existir
Só peço a Deus não deixe nos faltar
Saúde pra ter, pra dar e vender

Leva noites de se amar
Leva nuvens pra esconder
E a lua pra surgir na hora H
Leva um mapa pra esquecer
Onde a estrada terminar
Depois a gente vê se vai voltar
Quem sabe o que o amanhã dirá


("Bom Futuro" - Nei Lisboa)


2 de abril de 2010

não sabe? aprende...?


A crueldade de que se é capaz
Deixar pra trás os corações partidos
Contra as armas do ciúme tão mortais
A submissão às vezes é um abrigo

Saber amar
saber deixar alguém te amar

Há quem não veja a onda onde ela está
E nada contra o rio
Todas as formas de se controlar alguém
Só trazem um amor vazio

Saber amar
é saber deixar alguém te amar

O amor te escapa entre os dedos
E o tempo escorre pelas mãos
O sol já vai se pôr no mar...

(Herbert Viana)


fácil de entender! :)


Se você quisesse ía ser tão legal
Acho que eu seria mais feliz
Do que qualquer mortal...

16 de março de 2010

...ao menos uma vez...



Quem me dera, ao menos uma vez,

Ter de volta todo o ouro que entreguei
A quem conseguiu me convencer
Que era prova de amizade
Se alguém levasse embora até o que eu não tinha.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Explicar o que ninguém consegue entender:
Que o que aconteceu ainda está por vir
E o futuro não é mais como era antigamente.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Provar que quem tem mais do que precisa ter
Quase sempre se convence que não tem o bastante
E fala demais por não ter nada a dizer

Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante

Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como um só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês -
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

[...] é só você que tem a cura pro meu vício
De insistir nessa saudade que eu sinto
De tudo que eu ainda não vi.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Fazer com que o mundo saiba que seu nome
Está em tudo e mesmo assim
Ninguém lhe diz ao menos obrigado.

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente
Tentei chorar e não consegui...

("Índios" - Legião Urbana)

8 de março de 2010

"Ser que nunca fui"



Começo a chorar
do que não finjo
porque me enamorei
de caminhos
por onde não fui
e regressei
sem ter nunca partido
para o norte aceso
no arremesso da esperança

Nessas noites
em que de sombra
me disfarcei
e incitei os objectos
na procura de outra cor
encorajei-me
a um luar sem pausa
e vencendo o tempo que se fez tarde
disse: o meu corpo começa aqui
e apontei para nada
porque me havia convertido ao sonho
de ser igual
aos que não são nunca iguais

Faltou-me viver onde estava
mas ensinei-me
a não estar completamente onde estive
e a cidade dormindo em mim
não me viu entrar
na cidade que em mim despertava

Houve lágrimas que não matei
porque me fiz
de gestos que não prometi
e na noite abrindo-se
como toalha generosa
servi-me do meu desassossego
e assim me acrescentei
aos que sendo toda a gente
não foram nunca como toda a gente

(Mia Couto - in 'Raiz de Orvalho e outros poemas')

7 de março de 2010

há um cais?



Quando tá escuro
E ninguém te ouve
Quando chega a noite
E você pode chorar

Há uma luz no túnel dos desesperados
Há um cais de porto
Pra quem precisa chegar

Uma noite longa
Pra uma vida curta
Mas já não me importa
Basta poder te ajudar

E são tantas marcas que já fazem parte
Do que eu sou agora
Mas ainda sei me virar

Eu tô na lanterna...
tô te esperando...
vai demorar (?)

("Lanterna dos Afogados" - Herbert Viana)

28 de fevereiro de 2010

- entre_linhas -




se vai ficar não diga nada
sei ouvir o seu silêncio
e o que ele quer dizer

não pergunto seus segredos,
não me importa nada disso
só preciso de você

não há mesmo nada pra falar
quando a vida segue sua lógica
não há mesmo nada pra entender
quando o vento sopra sua música

se vai ficar não faça nada
deixa a luz levar o dia
deixa o dia anoitecer

não se assuste com seus medos
quando o coração dispara
deixa o coração bater

não há mesmo nada pra falar
quando a vida segue sua lógica
não há mesmo nada pra entender
quando o vento sopra sua música

("Ficar" - Celso Fonseca)

...na contramão!


Toda vez que tento me perder
Acabo me encontrando perto de você...
Pode me dizer:
você faz isso por querer?


Tento o mar que leva e traz sem parar...
Seu ruído rosa me comove,
Me faz lembrar que o amor é estranho...
Que o amor não quer saber...(!?!)

Tento a tv,
O dolby-surround a transforma num show sem igual!!
Pois afinal
O amor é estranho e sem forma..
O amor é anormal...(?)

("Ruído Rosa" - Pato Fu)