2 de novembro de 2008

Por dentro...

Eu não tenho muito, quase nada,
Só a sombra do meu corpo sobre a estrada
Misturada a galhos secos...
Eu só tenho becos e perguntas,
Minha alma e minha culpa dormem juntas.

Eu não tenho frio nos meus versos,
Mas também não sei dos outros universos
Que carrego paralelos...
Eu não tenho elos, nem correntes,
Meus "fantasmas" sempre foram diferentes...

Eu não tenho ilhas num tesouro,
Um lugar em casa para o desaforo,
Nem espaço pra lamento...
Eu não tenho vento que me pegue,
Nem diabo que me agüente ou me carregue...

Eu tenho convites e te chamo,
Minha natureza está no que eu te amo...
Mesmo nesse mundo louco
Eu só tenho pouco tempo, agora posso esperar
Mas não demora...

No silêncio do vazio,
Arrastando maravilhas,
Nem vertigem, nem limites,
Daqui a pouco é outro dia...

(Marcela Biasi)

"SOS"



No cartão de procedência
Pouco importa onde nasci
Busquei rumo e me perdi
"Querência, minha querência"
Desde então me chamo ausência
Porque me apartei de ti

Como um cavaleiro andante
Das léguas que caminhava
Sempre que me aproximava
Dos sonhos correndo adiante
Mais me sentia distante
Daquilo que procurava

Quem vira mundo não pára
Nem tão pouco desanima
Há uma lei que vem de cima
Na estrada do tapejara
Tempo que nos separa
É que mais nos aproxima
Quem vira mundo não pára
Nem tão pouco desanima

E neste andejar em frente
Sem procurar recompensa
Fui vendo na diferença
Entre passado e presente
Que a lembrança de um ausente
Tem mais força que a presença

Já no final da existência
Saudade, tempo e distância
Pra conservar a fragrância
Da primitiva inocência
Me tornei canto de ausência
Querência da minha infância

(Luiz Marenco)

"Metáfora"

Uma lata existe para conter algo,
Mas quando o poeta diz lata
Pode estar querendo dizer o incontível...

Uma meta existe para ser um alvo,
Mas quando o poeta diz meta
Pode estar querendo dizer o inatingível...

Por isso não se meta a exigir do poeta
Que determine o conteúdo em sua lata.
Na lata do poeta tudo-nada cabe,
Pois ao poeta cabe fazer
Com que na lata venha caber
O incabível...

Deixe a meta do poeta, não discuta,
Deixe a sua meta fora da disputa;
Meta dentro e fora, lata absoluta,
Deixe-a simplesmente metáfora...


(Gilberto Gil)

25 de outubro de 2008

...

Busca meus olhos,
toma minha mão, se aproxime,
Este é teu lugar...
esta é tua xícara de café...
Não diga nada,
Você diz com o olhar mais do que acredita dizer...

À deriva
você leva a alma no timão.
vai pela vida,
só escutando o coração...
busca um porto,
busca um céu aberto
distante da dor...

A teu destino
quería se manter fiel
princesa ferida,
o teatro da vida
muda de papel...

("Raquel" - Drexler)


"Soledad"




Soledad,
aqui estan mis credenciales,
vengo llamando a tu puerta
desde hace un tiempo,
creo que pasaremos juntos temporales,
propongo que tu y yo nos vayamos conociendo...

Aquí estoy,
te traigo mis cicatrices,
palabras sobre papel pentagramado,
no te fijes mucho en lo que dicen,
me encontrarás
en cada cosa que he callado...

Ya pasó
ya he dejado que se empañe
la ilusión de que vivir es indoloro.
Que raro que seas tú
quien me acompañe, soledad,
a mi, que nunca supe bien
cómo estar solo...

(Drexler)

"Argumento"

Tá legal
Eu aceito o argumento
Mas não me altere o samba tanto assim
Olha que a rapaziada está sentindo a falta
De um cavaco, de um pandeiro
Ou de um tamborim

Sem preconceito
Ou mania de passado
Sem querer ficar do lado
De quem não quer navegar
Faça como um velho marinheiro
Que durante o nevoeiro
Leva o barco devagar...

(Paulinho da Viola)

"Coração Imprudente"

O que pode fazer
Um coração machucado
Senão cair no chorinho
Bater devagarinho pra não ser notado
E depois de ter chorado
Retirar de mansinho
De todo amor o espinho
Profundamente deixado

O que pode fazer
Um coração imprudente
Se não fugir um pouquinho
De seu bater descuidado
E depois de cair no chorinho
Sofrer de novo o espinho
Deixar doer novamente

(Paulinho da Viola)

Quase sem querer...

Eu perco o chão, eu não acho as palavras,
Eu ando tão triste, eu ando pela sala...
Eu perco a hora, eu chego no fim,
Eu deixo a porta aberta,
Eu não moro mais em mim...

Eu perco a chaves de casa,
Eu perco o freio,
Estou em milhares de cacos, eu estou ao meio...

Onde será que você está agora?
(Metade - Adriana Calcanhoto)

19 de outubro de 2008

"Figura Rara"




Chega sempre tão certa,
Firme e direta,
Dá seu sinal de presença...
Rara,
Linda figura, doce visão
Encantando a sala...
Leva no rosto
Uma canção que não pára mais!
Ela é quem fica melhor,
Maravilhosa pintura,
Figura rara
No coração...
(Tavinho Moura - Flávio Venturini)


15 de outubro de 2008

Mais e Menos...




Afinidade acontece. Um mesmo signo, um mesmo par de sapatos caramelo, um mesmo livro de cabeceira. Afinidade acontece entre seres humanos. A mesma frase dita ao mesmo tempo, o diálogo mudo dos olhares e a certeza das semelhanças entre o que se canta e o que se escreve. Afinação acontece. Um mesmo acorde, um mesmo som, uma mesma harmonia. Afinação acontece entre instrumentos musicais. A mesma nota repetidas vezes, a busca pela perfeição sonora e a certeza das similaridades entre um tom acima e um tom abaixo. A incrível mágica acontece quando os instrumentos musicais descobrem afinidades humanas entre si no mesmo instante em que os seres humanos descobrem afinações musicais dentro deles mesmos.

(Teatro Mágico)

13 de outubro de 2008

Pouca Vogal

Bem poderia ser esta a frase de apresentação do novo trabalho musical do duo Humberto Gessinger e Duca Leindecker. Pra quem curte Engenheiros do Hawaí e Cidadão Quem, "Pouca Vogal" vai agradar de cara. O novo projeto vai a público sexta-feira, 17/10, no Teatro Bourbon Country, em Porto Alegre, levando ao palco apenas os dois músicos e seus "brinquedinhos": violões, guitarras, viola caipira e percussão, além de teclados tocados com os pés.
Que vontade de ir, né??!!
Por enquanto, dá pra baixar as canções aqui e desfrutá-las... :)

Essa fica de "isca"... Só pra dar água na boca...

Além Da Máscara
Gessinger

agora que a terra é redonda
e o centro do universo é outro lugar
é hora de rever os planos
o mundo não é plano, não pára de girar
agora que o tempo é relativo
não há tempo perdido, não há tempo a perder

num piscar de olhos tudo se transforma
tá vendo? já passou!
mas ao mesmo tempo
fica o sentimento
de um mundo sempre igual
igual ao que já era
de onde menos se espera
dali mesmo é que não vem

agora que tudo está exposto
a máscara e o rosto trocam de lugar
tô fora se esse é o caminho
se a vida é um filme, eu não conheço diretor
tô fora, sigo o meu caminho
às vezes tô sozinho, quase sempre tô em paz

num piscar de olhos tudo se transforma
tá vendo? já passou!
mas ao mesmo tempo
esse mundo em movimento
parece não mudar
é igual ao que já era
de onde menos se espera
dali mesmo é que não vem

visão de raio-x
o x dessa questão
é ver além da máscara
além do que é sabido, além do que é sentido
ver além da máscara...

10 de outubro de 2008

Eu que não amo...




[...]
Envelheci
Dez anos ou mais
Nesse último mês...

Senti saudade
Vontade de voltar
Fazer a coisa certa
Aqui é o meu lugar
Mas sabe como é
Difícil encontrar
A palavra certa
A hora certa de voltar
A porta aberta
A hora certa de chegar...

O certo é que eu dancei
Sem querer dançar
E agora já nem sei
Qual é o meu lugar
Dia e noite sem parar
Procurei sem encontrar
A palavra certa
A hora certa de voltar
A porta aberta
A hora certa de chegar...


('Eu Que Não Amo Você - Humberto Gessinger)

9 de outubro de 2008

"A mais..."




Composição: Pedro Luís - Herbert Vianna

Não quero um dia a mais
Quero um dia de paz
Não quero o vendaval
Só o sono e o sonho dos mortais

Não leve a mal
Sou só mais um
Quero uma noite tranqüila
Um amanhecer comum

Ainda é possível respirar
As cores ainda trazem emoção
Um verso pra fazer uma canção
Às vezes tem a força da bomba nuclear

Outono também traz inspiração
Tantos invernos já inesquecíveis
Nas madrugadas mornas do verão
Na simplicidade eu vejo as coisas mais incríveis

6 de outubro de 2008

"Palavra Forte"

Composição: Paula Toller/ George Israel


Minhas palavras não são tão doces
Eu tenho uma conversa esquisita
Meu vinho não é tão suave

Eu tenho um gosto sutil
Minha maçã não é tão vermelha
Eu tenho uma cor discreta

Eu falo baixo

Coisas pequenas
Pra pouca gente

Mas procuro sempre...

Minhas palavras não são tão certas
Eu tenho uma certeza esquisita

Meus sentimentos não são comuns
Eu sinto coisas que mudam
Meu corpo não é tão real

Eu ando
, eu ando,
Eu ando por outros mundos

Meus desejos não são simples

Eu so
nho, eu sonho,
Eu sonho com o impossível

Eu falo baixo

Coisas pequenas

Pra pouca gente
Mas procuro sempre
A Palavra forte...