11 de agosto de 2007

Memórias...

Sei. O texto é um pouco longo, mas a leitura será agradável, tenho certeza.
É do Rubem Alves, do seu livro "O velho que acordou menino".

Memória é onde se guardam as coisas do passado.
Há dois tipos de memórias: memória sem vida própria e memórias com vida própria.
As memórias sem vida própria são inertes. Não têm vontade. Sua existência é semelhante à das ferramentas guardadas numa caixa. Não se mexem. Ficam imóveis nos seus lugares, à espera. À espera de quê? À espera de que as chamemos. Ao chegar a um hotel, a recepcionista me entrega uma ficha para ser preenchida. Lá estão os espaços em branco onde deverei escrever meu nome, endereço, número da carteira de identidade, do CPF, número do telefone, e-mail. Abro a minha caixa de memórias sem vida própria e encontro as informações pedidas. Se desejo ir do meu apartamento à casa de um amigo eu pergunto: que ruas tomar para chegar lá? Abro a caixa de ferramentas e lá encontro um mapa do itinerário que devo seguir. É da caixa de memórias sem vida própria que se valem os alunos para responder às questões propostas pelo professor numa prova. Se a memória não estiver lá ele receberá uma nota má...
São essas as memórias que os neurologistas testam para ver se uma pessoa está sofrendo do mal de Alzheimer. O médico, como quem não quer nada, vai discretamente fazendo perguntas sobre a cidade onde nasceu, o nome dos pais, onde moram os filhos. Se a pessoa não souber responder é porque sua caixa de memórias está vazia. Essas memórias são muito importantes. Sem elas não poderíamos nos virar na vida. Estaríamos sempre perdidos.
As memórias com vida própria, ao contrário, não ficam quietas dentro de uma caixa. São como pássaros em vôo. Vão para onde querem. E podemos chamá-las que elas não vêm. Só vêm quando querem. Moram em nós, mas não nos pertencem. O seu aparecimento é sempre uma surpresa. É que nem suspeitávamos que estivessem vivas! A gente vai calmamente andando pela rua e, de repente, um cheiro de pão. E nos lembramos da mãe assando pães na cozinha...Viajando, olhando a paisagem com pensamento perdido, vemos um rio. E a alma começa a recitar: “O Tejo é mais belo que o rio da minha aldeia. Mas o Tejo não é mais belo que o rio da minha aldeia. Porque o Tejo não é o rio da minha aldeia”. E nos lembramos então do riachinho em que brincávamos quando crianças.
“Alma” é o nome do lugar onde se encontram esses pedaços perdidos de nós mesmos. São partes do nosso corpo como as pernas, os braços, o coração. Circulam em nosso sangue, estão misturadas com os nossos músculos. Quando elas aparecem o corpo se comove, ri, chora, ...
Para que servem elas? Para nada. Não são ferramentas. Não podem ser usadas. São inúteis. Elas aparecem por causa da saudade. A alma é movida a saudade. A alma não tem o menor interesse no futuro. A saudade é uma coisa que fica andando pelo tempo passado à procura dos pedaços de nós mesmos que se perderam.
É com esses cacos de memórias, pedaços de nós mesmos, que se escrevem romances, estórias infantis, poesia, lendas, utopias... Nietzsche dizia que só amava os livros escritos com essas memórias, escritos com sangue. E Guimarães Rosa dizia a seus leitores que, para se ser escritor, é preciso conhecer a alquimia do sangue do coração humano. Ler um livro escrito com sangue é participar de um ritual antropofágico. É uma celebração eucarística...

8 de agosto de 2007

Em minha maneira...

On My Way (tradução)
Phill Collins

Conte pra todo mundo que eu estou a caminho
novos amigos e lugares pra ver
com céus azuis pela frente... sim!
eu estou a caminho
e não tem ninguém mais
que eu prefira ser.

Conte pra todo mundo que eu estou a caminho
e eu estou amando todo passo que eu dou,
com o sol batendo sobre sim
eu estou a caminho
e eu não consigo tirar esse sorriso do meu rosto.

Porque não tem nada como ficar vendo
um ao outro novamente
não importa a distância entre...
e as historias que nós contamos
vao nos fazer sorrir...
isso realmente levanta meu coração!

Então conte pra todos que eu estou a caminho
novos amigos e lugares pra ver,
e dormir sob as estrelas...
quem pode querer mais
com a lua podendo me assistir?

Nem a neve, nem a chuva
podem mudar o que eu penso:
o sol vai chegar, espere e veja,
e o sentimento do vento no seu rosto
pode levantar seu coração...
oh! não tem lugar que eu preferia estar.

Porque eu estou a caminho agora,
bem e sincero,
eu estou a caminho...

Conte pra todo mundo que eu estou a caminho
e eu não consigo esperar pra estar lá...
com céu azul pela frente, sim,
eu estou a caminho
bons tempos pra compartilhar

Então conte pra todo mundo que eu estou a caminho
e eu não consigo esperar pra estar em casa,
com o sol batendo sobre mim...
eu estou a caminho...
(Brother Bear)

6 de agosto de 2007

Ele sabe o meu caminho...

"Os planos de Deus são maravilhosos,
e Ele é sábio em tudo o que faz!"
Isaías 28.29
"De dia Deus será uma sombra, para te proteger do calor;
e, quando vierem as chuvas e as tempestades, será
também um abrigo e uma proteção."
Isaías 4.6

...





5 de agosto de 2007

Animã
(Milton Nascimento)

Lapidar minha procura toda trama
Lapidar o que o coração com toda inspiração
Achou de nomear gritando... alma.
Recriar cada momento belo já vivido e mais,
Atravessar fronteiras do amanhecer,
E ao entardecer olhar com calma e então
Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida tira a mancha que há no meu ser
Te quero ver, te quero ser,
Alma
Viajar nessa procura toda de me lapidar nesse momento agora
De me reciar, de me gratificar de custo alma, eu sei
Casa aberta onde mora o mestre, o mago da luz, onde se encontra o templo
Que inventa a cor animará o amor onde se esquece a paz
Alma vai além de tudo que o nosso mundo ousa perceber
Casa cheia de coragem, vida todo afeto que há no meu ser
Te quero ver, te quero ser,
Alma.

...re-visitar...

Como é agradável estar na companhia das pessoas queridas, né? Compartilhar histórias, cozinhar, dar força a idéias antigas e descobrir idéias novas, visualizar oportunidades...
Por falar em antigas idéias novas, tá me parecendo que um sonho antigo vai transpor o limite ideal/real... Será? Bom, pelo menos as pessoas envolvidas toparam com o projeto, e isso é um ótimo começo... :)
Agora começa o trabalho.
Em breve, novidades...

1 de agosto de 2007

... mas é cedo...


Canções De Guerra
Sérgio Vasconcellos/Cláudio Venturini/Chico Amaral

A linha do horizonte se avermelha, agora o sol se vai.
A sombra pouco a pouco escala o arco, a tarde cai.
Os homens calam-se diante do crepúsculo,
Solene sombra sobre estrada.

Sou eu quem devia voltar,
Mas é cedo.

Ali na direção da serra as luzes de uma aldeia vão,
Trazer um pouco de conforto a toda solidão.
Pessoas passam calejadas em alma e músculo,
Perguntas muitas sobre nada.

Sou eu quem devia voltar,
(Não posso voltar agora, a guerra não terminou)
Mas é cedo.
(Mil léguas estrada afora, sem tréguas ainda vou)

Escute as canções de guerra,
Os sinais, as razões da terra.

Alimentando a alma eu bebo vinho, eu trago música.
Sei que uma vida é uma vida sempre única.
Diante do amor o mundo é minúsculo,
Eu não profano a jornada.

31 de julho de 2007

Idas e Vindas

Aiaiai... essas amigas da minha vida...
É realmente muito bom ver a vida delas acontecendo, as portas se abrindo... Vê-las indo de encontro aos seus sonhos, pondo em prática seus projetos, suas idéias e seus ideais... Ainda que tudo isso determine uma momentânea 'distância' entre a gente, mas... É impossível não comemorar com elas, não ficar feliz e não vibrar...
Então, entre idas e vindas, a vida vai harmonizando as amizades num nível superior...
Assistindo ontem o primeiro DVD do 14 BIS (ma-ra-vi-lho-so!!!), encontrei uma Letra e Música que quero compartilhar com vocês todas então... A mim pareceu interessante: ficou na memória e no coração também... Como várias outras canções, me faz lembrar de vocês.
Com carinho

Sinais De Amor

(sérgio Vasconcellos/Cláudio Venturini/Lô Borges)
Hoje é dia de inventar o amor
Faça acontecer
Você sabe tudo vai mudar
No seu coração
Vai buscar naquela estrela
A sua luz
Você sabe muito bem
Quando a gente quer mudar amor
Faz acontecer
Não espera o dia clarear
Faz amanhecer
O amor está mandando
Os seus sinais
Você sabe muito bem
Quem vem mudar
Chegou pra te acompanhar
Sinais de amor
É tudo que a gente quer
Viver é bom
Viver sem medo de errar
E a vida passa em um segundo
Hoje é dia de encontrar a paz
No seu coração
Navegando no imenso mar
Do que somos nós
Vai buscar naquela estrela
A sua luz
Você sabe muito bem

Baita Idéia

Também por isso é bom conversar com as pessoas...
Quem é que não conhece o "Teixeirinha"? É! O pai da Daiane. Gentes finas... Hehehe...
Então. Não é que o Teixeirinha me deu uma baita idéia!!!
To pensando ainda, elaborando, conjugando os pensamentos, procurando a turma ideal, mas... haverá de dar certo... e vai ser bom!!!
Tomara que saia do papel esse projeto...
Aguardem novidades.... e, quem sabe, convites.... hehehehe...

30 de julho de 2007

Verbos...

A Saga
(Ira)

caindo, cai
descalço, vai
na beira da calçada
olhando, vê
assiste a quê
anda atrás de nada
catando lixo,
correndo o risco,
fazendo arruaça
chutando lata,
xingando placa,
fazendo ameaça
passa, passa
cambaleando na praça,
cabeceando vidraça,
descarregando essa desgraça
passando carro que passa,
cuspindo sarro e cachaça,
desarrasou-a na fumaça
sacode o trapo da roupa,
sacode saco de estopa,
se esconde atrás de uma fachada
suspenso no meio fio,
pergunta onde é o brasil,
procura e não encontra nada
nada, nada
praça da sé
cabeça em pé
de olhar pra lua
na são joão,
vai vendo o chão,
derrubar a rua
tomando chuva,
tomando sol,
tomando uma porrada
não tem lugar,
qualquer lugar,
é a sua casa
puxa a carroça a cavalo,
fuçando o resto no ralo,
desengonçando essa carcaça
quem vê não quer nem saber,
quem sabe não quer nem ver,
quem chega perto perde a graça
sai do terreno baldio,
perambulando vadio,
em meio a próxima parada
treme de medo ou de frio,
pergunta onde é o brasil,
procura e não encontra nada
nada, nada

29 de julho de 2007

...?

Muito Além (Ira)

Muito além do jardim
Há um mundo muito grande para mim.
Muito além da Tv
Há um mundo de verdade para Você.
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada

Muito além do Convés
Há um mar e um céu
Pra nós dois; pra nós dois
Há um céu; no convés, muito alem.
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada
Tire os pés do chão, ponha os pés na estrada

28 de julho de 2007

Janelas

Experimentem pensar assim:
não há nada interessante numa parede sólida sem janelas.
Pelas janelas nos articulamos à parede e trazemos luz
às pessoas que estão do lado de dentro da construção...

Bem. Partindo desta idéia, podemos pensar em janela
como uma boa saída... ou uma alternativa de entrada!!!
Humm...
Uma parede sem janelas pode ser um muro...
E um muro separa, impede - ou dificulta - a entrada,
a saída, o contato, a comunicação...
Mas... ele pode, também, proteger...
Mas não era isso que eu queria dizer.
Queria brindar a Luz...
Trazer Luz, levar Luz, refletir Luz...
"Eu serei o teu sol e a tua lua,
um sol que nunca se põe,
uma lua que não pára de brilhar.
A minha Luz brilhará
sobre ti para sempre!"
... e houve Luz...
E haverá pra sempre!

... parafuso sem rosca...


... tudo que acontece na vida tem um momento, um destino...
Viver é uma arte, é um ofício,
Só que precisa cuidado pra perceber
que olhar só pra dentro é o maior desperdício...
(Jota Quest)